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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Modelos em EaD: Aprendizagem Forma de Biscoito


A análise e formulação dos objetivos de aprendizagem é um momento em que o Design Educacional pode se diferenciar do Design Instrucional.

O Capítulo 5 de Instructional Design, “Instructional Analysis: Analyzing the Learning Task”, explora a transformação de objetivos genéricos de aprendizagem (learning goals) em objetivos mais específicos pela da análise de tarefas.



Os passos propostos são:
(1) redigir o objetivo geral de aprendizagem (learning goal);
(2) determinar os tipos de aprendizagem do objetivo;
(3) promover uma análise de processamento de informação do objetivo;
(4) redigir objetivos específicos de aprendizagem (learning objectives) e cada um dos pré-requisitos;
(5) redigir especificações.
Learning goals são declarações de propósito ou intenção, o que os aprendizes devem saber ou ser capazes de fazer no final da instrução, que podem ocorrer em atividades, unidades ou cursos.

Para identificar os tipos de aprendizagem envolvidos no objetivo, podem ser utilizadas por exemplo a Taxonomia de Bloom ou a tipologia de Robert Gagnè.

A análise do processamento de informação decompõe o objetivo em partes, identificando os passos físicos ou mentais necessários para completar uma tarefa de aprendizagem, e o texto apresenta uma série de sugestões e exemplos. Não se trata, ainda, de como vamos ensinar. A análise dos pré-requisitos continua a decomposição, convertendo o objetivo e as tarefas em uma hierarquia.

Só agora podemos redigir os learning objectives, mais específicos que os learning goals. Não se trata mais de tarefas ou atividades, mas do que o aprendiz é capaz de fazer quando terminar as atividades, que ele possa demonstrar e que possa ser medido. O livro traz então orientações sobre como redigir learning objectives utilizando 3 componentes: uma descrição do comportamento ou das ações terminais que demonstrarão o aprendizado; uma descrição das condições de demonstração dessa ação; e uma descrição do padrão ou critério. Vários exemplos são fornecidos:

“Os aprendizes são capazes relacionar símbolos de elementos químicos aos seus nomes.”

“Os aprendizes são capazes de resolver esses tipos de problemas: 123x16, 140x257, 367x6.”

“Os aprendizes são capazes de utilizar um processador de texto para escrever um trabalho.”

“Os aprendizes são capazes de digitar 40 palavras por minuto.”

Pode-se dizer que esse rigor excessivo na formulação de objetivos de aprendizagem representa o movimento de burocratização da educação levado ao seu limite, produzindo aprendizagem cookie-cutter (sem originalidade, uma referência à uniformidade que resulta da utilização de ferramentas para cortar massas de biscoito em um formato específico).



A questão que nos resta é se, depois de todo esse processo de decomposição, uma aula ou um curso de EaD gerarão mais aprendizagem e serão mais interessantes. Não haveria outras maneiras de começar e conduzir o design educacional, dando mais importância por exemplo à construção de projetos e ao planejamento da interação e da colaboração? É o que discutem os artigos The Attack on ISD & A Hard Look at ISD  - leia um resumo em português.

GORDON, Jack; ZEMKE, Ron. The attack on ISD. Training Magazine, 37(4), April 2000, p. 42-53,
SMITH, Patricia L.; RAGAN, Tilman J. Instructional design. 3rd ed. Hiboken, NJ: John Wiley & Sons, 2005.
ZEMKE, Ron; ALLISON, Rossett. A hard look at ISD. Training Magazine, 39(2), February 2002, p. 27-33.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Modelos em EaD: Objetivos de Aprendizagem

Para Smith e Ragan, todas as experiências que envolvem algum tipo de aprendizagem seriam educação; a instrução envolveria intenção na produção do aprendizado; e o treinamento estaria ligado a habilidades muito específicas que precisassem ser aplicadas de imediato. Um grupo dentro do outro:
Já o ensino englobaria experiências facilitadas por um ser humano, um professor. O ensino estaria dentro de instrução mas também fora, pois é possível ocorrer aprendizado com professor e sem instrução. O que representa então a intersecção entre o ensino e a educação fora do campo do design instrucional?


 Dizem os autores:
Há ocasiões em um ambiente educacional em que um professor não foca experiências de aprendizagem em direção a nenhum objetivo de aprendizagem particular. Nessas ocasiões, professores podem oferecer muitas atividades de aprendizagem, e objetivos de aprendizagem podem emergir durante essas atividades, em geral dos próprios aprendizes quando eles se defrontam com essas atividades. Por exemplo, parte da educação infantil se encontra nessa categoria, como as ocasiões em que se fornece aos aprendizes uma variedade de materiais manipulativos que eles podem utilizar para buscar diferentes problemas. Essas buscas podem levar a diferentes resultados de aprendizagem, muitos dos quais não foram especificamente antecipados pelo professor. (p. 6)
As situações que Smith e Ragan descrevem no livro, mais livres de objetivos de aprendizagem, com atividades menos rígidas, materiais manipulativos e resultados de aprendizagem não antecipados, não se limitam à educação infantil, utilizada como exemplo. São na verdade experiências de aprendizagem adequadas à geração de alunos de hoje. São exploradas, por exemplo, pela teoria do aprendizado baseado em games (game-based learning), com a ideia de aprendizagem tangencial (tangential learning):



Nessa área verde podemos enxergar a figura do professor atuando como um guia e um facilitador, tão presente na literatura. Nessa área verde conseguimos posicionar a atenção aos diferentes estilos de aprendizagem dos alunos.



É essa área que reconhece que os alunos, que hoje têm acesso à Internet, chegam às instituições de ensino com níveis de conhecimento e interesses muito desnivelados, e então objetivos de aprendizagem fixos podem não fazer sentido para eles. É essa área que está distante tanto do treinamento militar quanto da instrução sem professor, mas que também se diferencia da instrução planejada pelo conteudista e designer instrucional, com objetivos de aprendizagem pontuais e atividades prontas.

Por que, então, o design educacional não pode explorar essa área? Por que não desenvolver modelos ou princípios para orientar o professor a trabalhar mais livremente com seus alunos, construindo conhecimentos sem que o objetivo final esteja totalmente pré-determinado? Cf. Concept Maps, Instructional Design, and Constructivism, que desenvolve essas reflexões sobre as mesmas passagens de Smith e Ragan.

Um pouco mais à frente, Smith e Ragan apontam os limites do design instrucional: experiências em que objetivos de aprendizagem não podem ser identificados com antecedência ou em que objetivos particulares não são jamais identificados (educação não instrucional). Como a reflexão e o planejamento são centrais ao DI, nessas situações haveria oportunidades limitadas para aplicar muitos dos seus princípios e procedimentos. E os exemplos utilizados agora são de uma disciplina de pós-graduação avançada ou outros ambientes educacionais em que os aprendizes possuem conhecimentos anteriores excepcionais sobre o conteúdo. Nesses casos, os próprios alunos seriam capazes de identificar objetivos, conceber estratégias educacionais e avaliar seu aprendizado. Os autores continuam:
Se um professor está disponível nessa situação, um instrutor habilidoso pode ser capaz de processar a informações rapidamente o suficiente para que os aprendizes possam identificar objetivos e conceber estratégias, pode fornecer sugestões para estratégias melhores ou alternativas. Nesse caso, o conhecimento do professor sobre design instrucional pode ser muito útil em seu papel de consultor. (p. 12).
Entre os limites extremos da educação infantil e das disciplinas avançadas de pós-graduação, há um espaço imenso no qual o design educacional pode contribuir, espaços mais livres de objetivos de aprendizagem que engessam o processo, desrepeitam o conhecimento prévio dos alunos e seus diferentes estilos de aprendizagem, e continuam a repetir a herança dos treinamentos para a guerra e para animais.

É possível imaginar uma EaD menos presa a objetivos de aprendizagem?


***

Este vídeo continua a conversa lá no YouTube:

domingo, 21 de outubro de 2012

O valor do professor num mundo onde, cada vez mais, qualquer um pode ser professor (Atualização)

A propósito do artigo de Will Richardson, The “Khanification” of Education, que lança uma série de questões acerca do valor do professor e das pessoas que estão a colocar recursos na internet, o Professor António Dias Figueiredo fez uma pequena provocação que, como já vai sendo habitual, provocou uma onda de respostas e de posts do João Mattar e da Teresa Pombo.

sábado, 20 de outubro de 2012

Modelos em EaD: Interatividade

A atividade de construção colaborativa da timeline no Facebook sobre a História da Educação a Distância continua - na verdade permanecerá aberta durante e após o encerramento do MOOC EaD. Mas já estamos dando o pontapé inicial nas discussões sobre modelos de EaD, que ocorrerão aqui mesmo no blog, com a incorporação de vídeos do YouTube e outros recursos.

Para começar, disponibilizamos este vídeo em que o professor Marco Parangolé discute Interatividade em Educação. O próprio Marco participará das discussões por aqui - no momento ele está em Porto de Galinhas na Reunião Anual da Anped


mas assim que voltar se juntará a nós!

Você acha possível aplicar a Interatividade, tal como descrita por Marco Silva no vídeo, em Educação a Distância? Como?

Durante a II Jornada Educação a Distância: o futuro da arte, Marco defendeu que a EaD deve ser feita em turmas pequenas, entre 20 e 30 alunos, caso contrário não seria possível colocar em prática adequadamente esse modelo interativo. Sabemos, entretanto, que a realidade das turmas de EaD no Brasil é muito diferente - 100, 200, 300 ou mais alunos. É possível conciliar interatividade e turmas maiores?

Ainda na II Jornada Educação a Distância: o futuro da arte, o professor José Manuel Moran defendeu que precisamos posicionar a EaD entre o que consideramos o ideal e as situações concretas que enfrentamos na realidade. Como realizar esse posicionamento em relação à questão da interatividade?

Você pode é claro responder com textos e links por aqui, mas convidamos vocês também a participarem do debate com imagens, podcasts e vídeos curtos enviados ao YouTube, que disponibilizaremos no blog, no nosso canal no YouTube e demais redes.




sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Redes Sociais

Redes Sociais do MOOC EaD

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Mande suas Fotos

Você já deve ter reparado que na página de entrada do site do MOOC EaD há várias fotos, começando pelo MUUC do MOOC, tirada recentemente no Congresso Internacional da ABED em São Luis:


Mas queremos aumentar bastante o número de fotos, então convidamos você a enviar alguma foto relacionada à Educação a Distância, de preferência que você mesmo tenha tirado ou em que você apareça.

A foto já deve vir no tamanho 930 x 300 pixels para não termos que fazer cortes. Mande também uma sugestão de título para a foto e de um subtítulo (uma frase que a identifique). Aí, acrescentaremos sua foto nos slides da entrada.

Você pode colocar a foto por aqui mesmo, indicar um link ou nos enviar por email moocead@gmail.com

Esperamos sua contribuição!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sigla MOOC

How to Catch Light in a Web
utilizada como ilustração do modelo de MOOC para a prática digital em: 
McAULEY, Alexander et al. Massive open online courses: digital ways of knowing and learning.

Você talvez tenha se perguntado: se o MOOC EaD é o primeiro MOOC em língua portuguesa, por que decidimos manter a sigla em inglês?

Como eu mesmo defini em um post de 24/03/2012:
Um MOOC (Massive Open Online Course) é, como a própria sigla indica, um curso online (que utiliza diversas plataformas web 2.0 e redes sociais), aberto (gratuito e sem pré-requisitos para participação, mas também sem emissão de certificado de participação) e massivo (oferecido para um grande número de alunos e com grande quantidade de material).
A tradução ao pé da letra ficaria Curso Online Aberto Massivo, o que resultaria na sigla COAM, que soa estranha - e estrangeira. Já li sugestões para usar CAMO (Curso Aberto Massivo Online), o que também não me soa muito bem. AMO ou AMO-Cursos, outras sugestões que já li, me soam ainda pior. COMA então seria De Mattar! Enfim, eu e o Paulo Simões tomamos algumas cervejas em São Luis, remoemos... remoemos... mas não chegamos a uma sigla que parecesse adequada em português.

Além disso,  há problemas com algumas palavras na nossa língua. Massivo não aponta para um significado muito preciso em português - tanto que Massively multiplayer online role-playing game (MMORPG) acabou vingando com a sigla em inglês. Além disso, aberto em português tem um sentido na área de EaD que não bate de pronto com o inglês - nossa UAB, que deveria ser uma Universidade Aberta, na verdade não é aberta nem universidade!

Enfim, os MOOCs são um fenômeno da Educação a Distância no momento, então não nos pareceu nada inadequado manter a expressão em inglês - se alguém não conhecia, é uma oportunidade de conhecer, porque daqui para frente vai provavelmente cada vez ouvir falar mais.

Traduzir expressões do inglês para o português pode ser ética e/ou politicamente correto, mas não é sempre que isso acontece na nossa área - nem mesmo em outras. Eu particularmente nunca usei correio eletrônico no lugar de e-mail; nunca tentei traduzir RSS; nunca gostei nem usei Rede Mundial de Computadores no lugar de Internet; sempre usei link no lugar de outras opções; e não troco games por jogos eletrônicos.

Se uma expressão pegar em português para MOOC e me parecer adequada, não hesitarei em utilizá-la em outros momentos. Mas eu e o Paulo Simões não conseguimos ser criativos o suficiente para inventarmos uma sigla que nos parecesse adequada na língua portuguesa, então decidimos conscientemente utilizar a sigla em inglês. 

João Mattar

terça-feira, 16 de outubro de 2012

História da EaD no Facebook

Você já viu como está ficando bonita a timeline da História da Educação a Distância que estamos construindo colaborativamente no Facebook, como primeira atividade do MOOC EaD?


Você pode postar e comentar livremente na página no Facebook, mas não é possível postar diretamente na timeline - criamos então um formulário no Google Docs para você registrar suas sugestões para a História da EaD.

Esperamos sua visita e sua contribuição!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

#MOOCEaD Tweets

sábado, 13 de outubro de 2012

What is a MOOC?

Vídeo em inglês que procura explicar o que é um MOOC:

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

#MOOCAjuda

Perdido na multidão?
Não queremos que perca seu rumo no #MOOCEaD.

Lost in TranslationO problema de quem segue um curso deste género é, normalmente, nos primeiros dias, uma sensação de desorientação, de solidão.
Para que nunca perca o foco, deixamos aqui algumas dicas:
- Siga este nosso espaço central diretamente ou através do "feed" RSS;
- Acompanhe a "hashtag" #moocead no Twitter;
- Se ainda não o fez, torne-se "amigo" do João Mattar e do Paulo Simões no Facebook.

Haverá muito mais para fazer durante as próximas semanas, mas desta forma tudo se tornará bem mais fácil.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O que é um MOOC?

Cf. este post (em português) do João Mattar

MOOC

a discussão aqui no blog

MOOCS: Virtudes e Limitações


e a entrevista da Andreia Inamorato com o George Siemens (em inglês):


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Bem-vindos!

Bem-vindo ao MOOC EaD, o primeiro MOOC em língua portuguesa.

Começamos a funcionar oficialmente dia 15/10/2012, mas enquanto isso você já pode ler o MOOCfesto, informações gerais sobre o MOOC e participar da primeira atividade: a construção colaborativa de uma página no Facebook sobre a história da EaD.

João Mattar & Paulo Simões